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sábado, 27 de maio de 2017

"Surpreendente!" e o curso de Escrita Criativa com Maurício Gomyde

O ano está passando como um caminhão daqueles que a gente não consegue anotar a placa. Mas tirei um pedacinho desse sábado tranquilo pra falar do Surpreendente!, livro de Maurício Gomyde, lançado pela editora Intrínseca, que foi finalista do Prêmio Jabuti de 2016 (categoria Juvenil). O motivo: li rapidinho esta semana, enquanto também tive o prazer de fazer um curso de escrita criativa com Maurício. :)



São umas 260 páginas que contam a história de Pedro, que, nas palavras do autor durante o curso, "descobre que vai ficar cego em dois meses e pega a estrada numa viagem com três amigos para fazer um filme". Eu li muitos dos capítulos cantando mentalmente a música que o narrador indicava, e fiquei com vontade de ver muitos dos filmes citados no decorrer da história. Playlist cheia das "maiores músicas de amor de todos os tempos", como o próprio protagonista fala, e - aqui arrisco eu mesma - um bocado de clássicos e de rock dos bons! Dá pra ouvir aqui: 


O livro Surpreendente! é daqueles que a gente literalmente lê numa sentada. A linguagem simples e a dinamicidade dos diálogos fazem com que o leitor passe os olhos pelas páginas com uma fluidez que pouco se percebe. Nos capítulos iniciais eu já me vi torcendo pelo Pedro e ansiosa pra saber o que vem a seguir. Além de ter o cinema como um dos temas que permeiam a trama, acho que Surpreendente! é um livro totalmente "filmável". Será que alguma produtora vai ter esse feeling? Tomara!

O estilo de escrita do Maurício me lembrou John Green (A culpa é das estrelas, Cidades de papel) e R. J. Palacio (Extraordinário). Como sempre digo, não tenho medo de best sellers: defendo sempre que temos que ler de tudo, dos clássicos aos contemporâneos, do acadêmico ao infanto-juvenil. Podem vir surpresas ruins, claro, mas esses eu garanto que vale a pena, hahaha. Acho que Surpreendente! é um título perfeito pra presentear aquele seu primo ou sobrinho adolescente que precisa aprender a gostar da leitura. E se autopresentear, claro!

"E se uma pessoa passar toda a existência sem fazer algo realmente excepcional por um amigo, a vida não terá valido a pena...” (essa lindeza está na página 184)


Sobre o curso: acho que todo mundo que ama ler já se imaginou como escritor, algum dia. Mas na hora de sentar e deixar as palavras saírem, a coisa não é tão simples assim. Com o curso eu pude perceber que não tô sozinha nessa, hahahaha. Foram três dias, com três horas de aula em cada um deles, em que pudemos, digamos, ser apresentados a uma série de conceitos, técnicas e ferramentas. Pelo menos pra mim, essas horas de análise de obras e filmes foram muito bem aproveitadas, e acho que poderão ajudar a destravar quando a página estiver em branco, seja criando, seja no trabalho (porque, afinal de contas, a gente precisa usar a criatividade na labuta também). Agora eu torço por um módulo do curso com mais prática: botar a cabeça pra funcionar, escrever um bocado, rabiscar por cima... Alô, Maurício, vamos fazer uma oficina? o/

Você pode acompanhar informações sobre o curso lá no Facebook.


sábado, 21 de março de 2015

>> Qual seu poema preferido?

Neste sábado, 21 de março, celebra-se o Dia Mundial da Poesia. A data foi estabelecida como "World Poetry Day" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco ) na Conferência Geral de 1999. Já são 15 anos desta data e eu quero saber: qual é o seu poema preferido?

O meu é uma ode do Ricardo Reis, um dos heterônimos que o poeta português Fernando Pessoa usou ao longo de sua carreira:
Fernando Pessoa caminhando pelo
Baixo Chiado, em Lisboa
(foto: Domínio Público)


Para ser grande, sê inteiro: nada
          Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
         No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive


Vou aproveitar que falei sobre Fernando Pessoa pra dar uma dica a quem gosta de viajar: em Lisboa, há um café chamado A Brasileira, que está aberto desde 1905 e era um dos mais frequentados pelo poeta. Na calçada em frente ao café, junto às mesas dos clientes, há uma estátua de Pessoa também sentada à mesa.

Vale a pena ir até lá para conhecer a decoração (que é linda!), ver a estátua e, quem sabe, tomar um café. Mas atenção: achei o serviço beeeem lento quando fui. O café fica no Chiado, na Rua Garrett, 120.

Fernando Pessoa de boas esperando um café na rua Garrett
(foto: Ana Elisa Santana)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

#OuviNoMetrô - Sonic Highways, dos Foo Fighters

Eu sei que o nome do blog é Li no Metrô (aliás, já curtiu a página no Facebook?), mas como eu já disse lá no post sobre a preguiça de ler, e no outro sobre o hábito da leitura, eu alterno os livros com minhas outras paixões. A primeira e talvez mais arrebatadora seja a música.

Por isso, vou criar aqui dentro a seção #OuviNoMetrô, rs, pra falar sobre o que anda tocando nos meus fones de ouvido. Esta semana - mais precisamente hoje - estou embarcando para ver novamente minha banda (internacional) preferida, ao lado de Beatles e Queen: os Foo Fighters! 


Quem me conhece sabe que gosto muito de shows, e faço o máximo para ver minhas bandas e artistas preferidos, ainda que em cidades distantes à minha. Conheci os Foo Fighters por volta dos anos 2000, quando tinha uns 12 anos, e eles haviam acabado de lançar o álbum There's nothing left to lose. Com clipes divertidos na MTV e meu interesse pela língua inglesa - que eu estudava na época há apenas dois anos -, eles viraram meus companheiros diários, e me passei a pesquisar mais sobre a banda.

Em 2001 eles tocaram no Rock in Rio e eu, que tinha só 13 anos, prometi a mim mesma que, quando eles voltassem ao Brasil, eu veria o show ao vivo, in loco. Demorou 11 anos (¬¬), mas valeu a pena: no Festival Lollapalooza de 2012, fui a São Paulo e pude ver o que mais gosto neles e em outros artistas como Paul McCartney, que pra mim são verdadeiros ídolos: o prazer em fazer música. Mesmo sendo um festival, que geralmente tem apresentações mais enxutas, Dave Grohl e companhia tocaram por 2'35'', arrancando lágrimas dos meus olhos diversas vezes.



Dito isto, vamos ao que interessa: a banda lançou, em 2014, o álbum Sonic Highways, que tem oito músicas - na minha opinião - MUITO boas. O álbum tem um tom experimental em algumas faixas, e por isso não foi tão bem recebido pela crítica. Mas os riffs de guitarra dos caras têm me ajudado a tomar impulso na academia e a caminhar até a estação de metrô, haha, e eu consigo viajar pra muito longe ouvindo Something from nothing, e Congregation tem uma energia ótima. What did I do? É uma das minhas preferidas, e In the clear também tem um lugar especial no meu coração, rs. Senti no álbum falta de uma ~balada~ marcante como Wheels (como eu amo essa!). Talvez essa seja a função de Subterranean e I'm a river, mas não acho que tenham o mesmo, digamos, carisma. 

O bacana nos Foo Fighters é isso: eles curtem de verdade fazer música, e criam, recriam, tentam se reinventar a cada álbum. Wasting Light, lançado em 2012, é um dos melhores da carreira deles, e ao comparar as faixas com as do disco mais recente, é perceptível a vontade de mudar. Gosto muito dessa versatilidade: a mistura no setlist torna o show mais dinâmico e, por mim, ficaríamos uma madrugada inteira emendando uma música à outra. Ainda bem que eles pensam igual a mim e fazem shows de quase três horas. =D

Pra completar, o Sonic Highways foi lançado junto a nada menos que uma série-documentário, que mostra o processo de gravação das músicas do álbum - cada uma em uma cidade diferente dos Estados Unidos. Tem como amar mais essa banda, gente?

Aqui no Brasil, os documentários foram exibidos pelo canal Bis, e no Net NOW tem apenas o episódio 6, da música In the Clear, disponível pra ver gratuitamente. Quando lançarem DVD por aqui eu quero todos na minha mesa! 

E você, o que anda ouvindo por aí?

*post um pouco precário porque finalizei pelo celular 




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015/2 - Nunca vai embora, de Chico Mattoso

O calor de Brasília nos últimos dias (ontem, às 8h da manhã, os termômetros já marcavam 29ºC) certamente não é comparável à cidade de Havana, em Cuba, mas me ajudou a compreender boa parte da narração de Nunca vai embora, de Chico Mattoso.

O livro é pequeno e tem uma linguagem simples, que torna a leitura fácil e rápida. Nunca vai Embora é o sexto livro lançado pela coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras, um projeto muito interessante que um amigo me apresentou: nele, 17 escritores foram convidados a passar um tempo em 17 cidades do mundo, com o propósito de criar um romance que tivesse o local como cenário, e retratasse o amor em suas diversas formas (saiba mais aqui). E a cidade eleita para Chico Mattoso foi a capital cubana.

O livro é uma narrativa sob o olhar de Renato, dentista que levava uma vida sem grandes curvas até conhecer Camila, uma jovem estudante de cinema que, com personalidade inquieta e uma forma particular de perceber o mundo, provocou uma turbulência no pacato cotidiano do dentista e, tempos depois, o convenceu a acompanhá-la por uns tempos em Cuba para que ela filmasse um documentário.

O caminho óbvio para Renato era conhecer a Havana turística, que aparece nos guias, conhecida nos livros. Mas este era justamente o objetivo contrário de Camila. Isso leva o casal e ter dias separados - ela filmando, ele fazendo seu roteiro clichê -, encontrando-se apenas pela noite para beber. Os desencontros de ambos levam a uma briga, que dá introdução à parte mais interessante da trama, quando Renato se vê obrigado a conhecer Havana por suas ruelas, prestar atenção em seus moradores e se enfiar em cada canto da cidade em busca da namorada, ou do motivo que o faz querer encontrá-la. Ele tem que conhecer o cotidiano da cidade em sua forma mais simples e, com isso, acabar conhecendo mais do que imaginara saber sobre o seu relacionamento, o amor (ou seria obsessão?) e, mais importante, sobre si.

As descrições de Nunca vai embora são bem desenhadas: muitas vezes é possível ter uma visão realista dos lugares, características dos personagens e situações que o autor está falando. A narrativa é dinâmica e instiga a querer saber o desfecho, no entanto a sensação pós-leitura não é aquela de nostalgia que eu gosto de sentir pelos livros recém lidos. Mesmo buscando uma Havana diferente, há alguns trechos caricatos no relato de personagens e situações; e a história se perde um pouco no desfecho: acredito que com algumas páginas a mais, diversos pontos poderiam ser melhor costurados. Mas de qualquer forma, é um livro que eu recomendo, tanto para "conhecer" Havana, quanto para tomar para si a reflexão que a história do dentista provoca.

Você pode ver um trailer do livro aqui.

*Este é o segundo livro que leio no ano, e vou tentar - eu disse tentar - entrar na brincadeira do Desafio Literário com o blog Não era amor, era cilada. O primeiro, Fim, da Fernanda Torres, foi o "Que o título tenha apenas uma palavra", e Nunca vai embora é o "Que se passe num lugar que você sempre quis visitar". Você pode saber mais sobre o desafio clicando aqui. :)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

>> 2015/1 - Fim, de Fernanda Torres


Nove dias em 2015; seis dias com o primeiro livro do ano, e já estou aqui morrendo de saudade de Fim, da Fernanda Torres. Sim, eu sinto saudades dos livros logo depois que os termino - quando são bons, claro.

Eu havia ouvido muitos elogios sobre o título de estreia da atriz que, além de ser incrível e ter dado vida à Vani (aquela personagem maravilhosa que tem um pouco de todos nós), e imaginava que encontraria uma história boa nas 200 páginas de Fim. Maaaas eu não imaginava que a surpresa seria tão positiva. Entrou para a lista dos meus preferidos.

Cinco amigos veem suas vidas passarem, como diz o clichê, diante de seus olhos, e relembram como eram diferentes, ao mesmo tempo em que não poderiam ser mais semelhantes. Mas o livro passa longe da lição de moral ou do lugar-comum. Fernanda Torres, essa linda, se mostra uma escritora de muito talento ao desenvolver a narrativa, que é feita de trás pra frente e ao mesmo tempo de forma não-linear, com direito a diversos flashbacks de narradores que, ora em primeira, ora em terceira pessoa, completam um emaranhado de relações que se encaixam, no calor do Rio de Janeiro, das formas mais inesperadas (ou mais óbvias, mas não menos importantes).

A escrita de Fernanda não segue o trivial: emenda um fluxo de consciência à altura de Clarice Lispector (uma das minhas escritoras preferidas) com diálogos que dispensam travessão, começando e terminando de repente, como muitas vezes acontece em nosso cotidiano sem que paremos para perceber. Não se sabe quem estará narrando a próxima página, e isso alimenta a curiosidade até a última página.

Fim é sobre amizade, que pode se abalar com uma simples palavra. É sobre amor, que pode existir à noite e desaparecer pela manhã. Sobre sexo, que pode ser arrebatador, quente, sujo, alucinante ou apaixonado - ou tudo isso de uma vez. É sobre a efemeridade das relações, do cotidiano, da juventude, da existência.

Fim é sobre morte; e parte dela para seguir toda a sua narrativa. Mas aqui eu não estou contando o desfecho do livro porque ele é muito mais do que isso. É sobre vida. A vida mais comum possível e, por isso mesmo, a mais extraordinária possível.

Termino o primeiro livro do ano na expectativa de que Fernanda Torres publique mais romances assim. O segundo lançamento dela - Sete Anos - é um compilado de crônicas e já está na minha fila.

E você, já leu Fim? Onde? Quando? Me conte o que achou!