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domingo, 29 de outubro de 2017

Lázaro e Gil



Nas minhas férias eu não saí de casa mas viajei pela Bahia, pelos anos 1960, 1970, pela cultura brasileira e por toda nossa ancestralidade.

Em #NaMinhaPele, Lázaro Ramos nos conduz por uma conversa forte e necessária, que ao mesmo tempo é uma delícia. Parece que estamos tomando um café ou cerveja enquanto refletimos sobre o que somos e tudo que podemos nos tornar. 

Lázaro conseguiu uma receita que pra mim parecia difícil: chega a ser acadêmico, sem precisar ser burocrático. A simplicidade da narrativa fez com que eu me pegasse sorrindo de identificação num momento e chorando na página seguinte. É uma leitura essencial pra todos nós brasileiros. Sonho meu que esse livro se tornasse leitura nas nossas escolas.

O Gilberto Gil é ídolo. A biografia dele, escrita com Regina Zappa, me acompanhava há uns dois anos, e é daqueles livros que a gente guarda um pouco pra não ter que se despedir. A viagem em #GilbertoBemPerto é igualmente poética. Gil trouxe para nossa MPB a guitarra elétrica, mas muito maior que esse feito é a alma musical que ele imprime em cada letra e cada acorde. Um acervo que nos enriquece e do qual me orgulho de conhecer e amar.

As capas se complementam e, pra mim, não é à toa. Sinto e sei que todos somos parte de um todo, de uma história de força, resistência e afeto. 

"Afeto é potência", diz Lázaro Ramos. E afeto é o que eu tenho, guardo e carrego para compartilhar depois de ler esses dois presentes. 

Obrigada, Lázaro e Gil. Sigamos ✊🏿🙂❤

sábado, 7 de janeiro de 2017

A contadora de filmes

Leitura super leve, história nem tanto 😢

 

Livro de Hernán Rivera Letelier, escritor chileno, se passa no Deserto do Atacama e conta a história de um povoado, movido economicamente por uma mina, que tem o cinema como única atividade de lazer. Uma menininha chamada Maria Margarida se apaixona com as histórias dos filmes e faz a gente se apaixonar pela forma com que ela as conta. 

1o de 2017: ☑️. Um prazer começar o ano com o encanto e a sensibilidade da Fada Docine ❣️

 





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

5 dicas para ler mais a partir de HOJE

É na segunda-feira que a gente começa a dieta, começa a fazer exercícios, começa um bocado de coisas! Que tal começar a ler um livro hoje mesmo?

A gente sabe que atualmente são poucas as pessoas que têm o hábito de ler e estão ali, firmes, lendo pelo menos um pouquinho todo dia. Além da correria diária, sempre tem uma notificação nas redes sociais ou um episódio daquela série na Netflix pendente. Mas ao contrário do que muitos pensam, a falta de leitura está mais relacionada à falta de organização do que à falta de tempo propriamente dito.

Por isso, aproveitando o dia internacional de começar-tudo (sim, ela mesma, a segunda-feira!), encontrei lá no site Pequeno Guru uma listinha de 5 momentos ou formas em que você pode desenvolver essa ~mania~ de ler mais. Bora? :)

Foto: lentedorafa/flickr/creative commons

1. Ao chegar em casa

Seja forte, resista à fome, ao cansaço, ao desejo de um banho quente. Se jogue de cabeça no sofá com apenas o seu livro. Esse é um dos melhores momentos para ler. Não uma hora depois de chegar em casa, mas assim que você passar pela porta. Se você for comer algo, irá ligar a TV ou o computador e aí, estará tudo perdido. Chegou em casa, separe 20 minutos para ler antes de fazer qualquer coisa além de tirar os sapatos.

2. Depois do almoço

Os últimos minutos da sua hora de almoço são valiosos e, quase sempre, ociosos. Talvez você tenha o hábito de tirar uma soneca ou sua empresa seja barulhenta demais para tal, o que pode complicar, mas ainda assim esse é um grande momento para ler. Aproveite!

3. Enquanto espera

Provavelmente, você tem gaps entre atividades, talvez esperando clientes, entre o trabalho e a academia, esperando um amigo, o namorado, o marido, os filhos. Aqui também vale aquele tempo de deslocamento em que você está no ônibus ou no metrô, hein?
Procure por essas brechas e as preencha com livros.



4. Reduzindo outras leituras

Revistas e jornais são ótimos, mas nada se compara a livros. Isso vai de cada um, mas saiba que diminuir outras leituras podem ajudar a criar tempo para ler livros, que são textos muito mais profundos. Revistas e jornais (assim como sites) são leituras de atualidades, leia para ficar por dentro. Livro é leitura de conhecimento, leia para aprender.

5. Criando um compromisso

Vamos ser francos, mesmo que você não tenha tempo para nada na empresa, 20 minutos não irão lhe tornar mais eficiente. Se você é realmente uma pessoa ocupada, não há outro jeito a não ser criar um compromisso para isso. Separe no Outlook, Google Calendar ou na agenda física 20 minutos para ler. Tranque a porta e tire o telefone do gancho. Será preciso tirar o máximo desses 20 minutos, mas apesar de pouco, faz a diferença.

terça-feira, 31 de março de 2015

Tem mais gente lendo!

E os leitores compulsivos estão por todos os lados, mesmo com a correria do dia a dia, com praticidade dos celulares que sempre têm um passatempo a oferecer. Hoje eu publico aqui o resultado de uma entrevista que fiz com o pessoal do "Tem mais gente lendo"! É um projeto bem bacana feito lá em São Paulo, que mostra as pessoas que mesmo no metrô lotado, ou caminhando por aí, não abrem mão de seus livros <3

Dá uma olhada:

 Em tempos de tecnologia à palma da mão, quem ainda prefere os bons e velhos livros de papel chama a atenção por onde anda. E foi prestando atenção em quem aproveita o tempo de trajeto do metrô para ler que quatro amigos criaram o projeto "Tem mais gente lendo", no qual mostram pessoas e seus livros para festejar, cultuar e apoiar o gesto da leitura nos espaços públicos.

A ideia sugiu há cerca de dois anos, quando o jornalista Sérgio Miguez criou a hashtag #temmaisgentelendo. E no início de 2014, o também jornalista Hamilton dos Santos passou a fotografar as pessoas que observava nos vagões do metrô de São Paulo. "Comecei a ver naquilo um fenômeno que ia na contramão das previsões de que o livro físico estava condenado e dando seus últimos suspiros", lembra.

Tem mais gente lendo 1
Projeto registra pessoas que aproveitam tempo no metrô para ler :)
 Imagem: 
Tem mais gente lendo/Facebook
Hamilton conta que costuma ler alguns capítulos e fragmentos digitais pelo smartphone, no entanto, com o tempo está passando a se dedicar a fotografar as pessoas em seus momentos de leitura. Ele tem a preocupação de buscar não identificar as pessoas em suas fotos, devido aos direitos de imagem de cada um. "Avisamos no blog que se a pessoa não quiser, retiramos a foto. Com o crescimento do projeto, passaremos a andar com um formulário de autorização de uso de imagem", planeja. 

A ideia é que o "Tem mais gente lendo" se torne cada vez mais colaborativo; com imagens enviadas por pessoas que usam o transporte público. "As pessoas estão mandando fotos e essa era mesmo a ideia. Mandam fotos muito boas. Já publicamos algumas e vamos continuar publicando na timeline da página", celebra Santos.

Ah! Se você quiser registrar o que anda lendo por aí, mande sua foto pra gente pelo Facebook (fb.com/linometro), ou marque suas fotos no Instagram com a hashtag #LiNoMetro. Podemos usar o blog pra trocar ideias sobre nossas leituras e incentivar mais gente a ler :)

O projeto "Tem mais gente lendo" é semelhante ao Underground New York Public Library, que também registra leitores no transporte público de Nova York. A iniciativa criada por Ourit Ben-Haim existe desde 2008 e já teve mais de 56 mil curtidas em sua página do Facebook. No blog, Hamilton também publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, autor da série intitulada "The Last Book" (O Último Livro), na qual ele reuniu retratos de passageiros lendo livros no metrô da cidade norte-americana.

O vídeo abaixo, feitos pelos parceiros do projeto Carol Argamim e André Azevedo, mostra algumas das imagens já captadas pelo "Tem mais gente lendo". Assista!




O texto foi originalmente publicado no Portal EBC, onde esta que vos fala é editora de Educação e Cultura ;)

segunda-feira, 23 de março de 2015

>> A mais pura verdade

Eis que em um belo dia de fevereiro chegou com a minha correspondência este livro: A mais pura verdade, de Dan Gemeinhart. Na verdade, chegaram os seis primeiros capítulos dele. Siiiim, só seis capítulos.

Vou contar a história disso pra vocês: este livro está sendo lançado no Brasil hoje. HOJE! E a editora Novo Conceito, responsável pela distribuição dele por aqui, me enviou antes pra que eu pudesse ler e falar o que eu achei. Olha a responsabilidade? Maaaas o final mesmo eu vou ficar sabendo só junto com todo mundo, porque a vida é assim, haha. Vamos ao que interessa:

O que mais me impressionou neste livro é que ele já começa no clímax. Não tem apresentação de personagens, não tem ambientação, nada. Já na primeira página o menino Mark, de 12 anos, está fugindo de casa com seu fiel escudeiro, o cachorrinho Beau (a propósito, amei esse nome!). E tudo na história é assim: a narrativa é super fluida, a história acontece de forma bem rápida e as páginas passam com um piscar de olhos.

Mark mora na cidade de Weantchee, que fica a exatos 423km de seu sonho: o Monte Rainier, uma das maiores montanhas da América do Norte. Ele decidiu que iria escalar a montanha, e decidiu que faria isso sozinho. Há um motivo muito forte para que os pais dele fiquem preocupados - além de ele ter só 12 anos, claro - e coloquem a polícia à procura dele assim que percebem sua ausência. E eu não vou contar este motivo aqui, porque descobrir durante a leitura é uma experiência que não quero estragar. A busca por ele, no entanto, não será fácil porque Mark encontrou formas de despistar investigações.

Mark também tem uma intenção ao sair de casa carregando apenas um bolo de dinheiro, uma mochila com roupas, sua máquina fotográfica e remédios. Mas eu não quero acreditar/aceitar esses planos e vou precisar ir até o final do livro pra saber se minha desconfiança se confirma. =/

Outro ponto que gostei bastante no livro são as descrições: senti cheiro de comida mexicana quando Mark foi acordado por "anjos" que cantavam enquanto cozinhavam em um restaurante; e minha vontade de ter um cãozinho aumentava a cada demonstração de disciplina e amor de Beau. O diálogo com Shelby, menina de seis anos que faz amizade com ele dentro de um ônibus, também me tocou. A percepção e paixão que Mark tem em relação à fotografia é muito semelhante à minha:

Fotografia: levar um pedaço de vida consigo <3

E Mark faz haicais, como forma de memorizar o que precisa e também para se comunicar com sua melhor amiga, Jesse :)
Um dos meus poetas preferidos, Leminski, escreveu muito nesse formato curtinho:

viver é super difícil
o mais fundo         
           está sempre na superfície
                                                                        Paulo Leminski 


Minha visão até agora a respeito de A mais pura verdade é bem positiva. Dica: não leia a sinopse antes de começar, deixe para descobrir tudo no decorrer da história. Acredito que isso dê um sabor especial à leitura no caso deste livro.

Assim que terminar de ler eu volto aqui e conto se o desfecho foi como eu imagino que será. :)

quinta-feira, 19 de março de 2015

>> LaterBook - John Green

O Li no metrô está de voltaaaa!!! (sobe a musiquinha da vitória)

Depois desse hiato que pra mim parecia não ter fim (sim, eu senti saudade), volto pra inaugurar o #Laterbook! Isso porque 1) Ainda não tenho livro novo pra falar sobre (calma, tô acabando o próximo) e 2) Saiu o trailer do filme Cidades de Papel, do John Green!

Pergunta: O que é o #Laterbook?
Resposta: Basicamente, uma ~seção~ que inventei pra falar de livros que já li e gostei - ou não - enquanto não tiver livros novos pra comentar, ou quando estiver sem assunto. (Desculpe a sinceridade, mas é isso mesmo, haha).

Vou aproveitar esse #LaterBook pra falar de todos os livros de John Green que já li. Porque não há como negar que esse autor norte-americano é um fenômeno de público, e merece nossa atenção.

(Abre parênteses pra falar sobre o autor:
John Green é um autor bem jovem, tem só 37 anos e já vendeu milhões de livros, impulsionados pelo A culpa é das estrelas que virou best seller entre 2012 e 2013. Ele tem uma relação que de certa forma é bem próxima dos adolescentes - seu maior público -, porque se dá bem com as redes sociais e a tecnologia: todo dia aparece algo novo em algum dos perfis que ele mantém. Green tem desde 2007 um vlog - o Vlogbrothers - com o irmão Hank Green, e depois de fazer uma parceria com o Google em 2012 ele passou a usar o espaço pra falar também sobre Educação. Lá no canal é possível ver vídeos sobre história, biologia, ciência, etc, além dos livros dele, é claro! Ele tem mais de 3,8 milhões de seguidores no Twitter, e no Facebook a página oficial do John Green já foi curtida por mais de 2,7 milhões de pessoas. <o>
Fecha parênteses pra falar sobre o autor)

Qual livro dele você já leu? (responda lá nos comentários =])

Ainda não li "Deixe a neve cair", e... alguém viu o meu "A culpa é das estrelas"? Sumiu :(


Ia falar dos livros pela ordem de publicação, mas acho que falar primeiro de A culpa é das estrelas faz mais sentido. Bora lá:

1. A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars), 2012


Ganhei este livro no meu aniversário em agosto de 2013, e li em dois ou três dias, como dizem, "numa sentada". É o título que "revelou" John Green para o mundo, e acho que de forma muito merecida.

Hazel Grace e Augustus Waters se conhecem em um grupo de ajuda a pessoas com câncer, e unidos pelo interesse no livro Uma Aflição Imperial, eles acabam se apaixonando. A história é triste, mas incrivelmente linda. A narrativa é rápida, cheia de nuances. Tudo é contado de uma forma super sensível e o final (que, óbvio, não vou contar) foi construído de uma forma que me agrada muito.
Particularmente, não fiquei muito satisfeita com o filme. Achei que a narrativa perdeu um pouco da leveza que o livro oferece. Mas há momentos em que é impossível segurar uma lágrima no canto do olho, rs. A essência da história está ali e se você gostou do livro, vale a pena tirar uma hora e meia pra ver a versão na tela. Aliás, só aqui no Brasil, mais de 6 milhões de pessoas viram o filme nos cinemas. =O

Ah! A trilha sonora é linda <3 Dá o play aí pra ouvir enquanto lê sobre os outros livros:


2. O Teorema Katherine (An Abundance of Katherines), 2006

Gostei tanto do primeiro livro que fui atrás de mais do Green, e o primeiro que cruzou meu caminho foi esse: O Teorema Katherine conta a história de dois amigos - um deles, Colin Singleton, extremamente nerd - que saem viajando pelo interior dos EUA depois que Colin leva um fora de sua 18ª namorada chamada Katherine (sim, 18ª). Nessa viagem ele conhece novos amigos do interiorrr (com R puxado mesmo), arranja um "bico" e resolve criar um teorema pra entender e, talvez, conseguir prever quando o seu próximo namoro com uma Katherine vai acabar.

Ao contrário de A culpa é das estrelas, o Teorema Katherine tem uma narrativa mais lenta e que algumas vezes considerei cansativa. Mas o livro tem seus pontos positivos: 1) os diálogos mostram o sotaque dos amigos dele no interior e isso me divertia um bocado, 2) Colin tem uma mania incurável de criar anagramas com as palavras, e eu sempre ficava conferindo se o anagrama estava certo (e me perguntando o trabalho que aquilo deu pro tradutor), e 3) o "teorema" tem fórmulas que fazem algum sentido pra quem entende matemática (convidaram um matemático amigo pra fazê-las) e se você quiser, pode se aventurar tentando entender a lógica dos gráficos (eu tentei mas não tive muito sucesso, rs). De um modo geral, foram poucos os pontos que realmente gostei no livro enquanto estava lendo, mas quando terminei de ler senti falta, rs.

3) Quem é você, Alasca? (Looking for Alasca), 2005

Este é um queridinho de muita gente - e meu também. É um livro bem adolescente, mas como eu gosto de ler todo e qualquer tipo de livro, não abro mão das narrativas mamão com açúcar. Pelo contrário, adoro, rs.

Alasca é uma menina de 16 anos, super popular no colégio interno onde estuda (olha eu respondendo ao título do livro). Ela é responsável por gerar os mais diversos questionamentos na cabeça de Miles Halter, que é fascinado por "últimas palavras" das pessoas e quis estudar no colégio interno em busca do que o poeta François Rabelais chamou de o 'Grande Talvez' quando estava à beira da morte. O enredo não me conquistou tanto, mas gostei muito da construção dos personagens. O desfecho é interessante, mas o final do livro em si não é dos mais inesquecíveis. O ponto forte da obra, pra mim, é a filosofia em torno do "Grande Talvez" que o personagem principal persegue: tudo foi elaborado de forma bem sutil e sensível, e me agradou bastante. Este é o primeiro livro de John Green e rendeu a ele o prêmio Michael L. Printz de 2006, da American Library Association. Parece que vem filme por aí; vamos esperar, né?

4. Will e Will: Um nome, Um Destino (Will Grayson, Will Grayson), 2010


Eu não AGUENTOOO quando colocam uma frase na frente de um título que, no idioma original, tinha apenas o nome de um ou mais personagens. Feito o desabafo, vamos ao livro: Will² conta a história de dois garotos, ambos chamados Will Grayson, que se conhecem por acaso em uma noite atípica da vida de ambos. Enquanto um deles se preocupa em como contar para a mãe que é homossexual, outro é amigo de um figura chamado Tiny Cooper, que quer fazer na escola um musical com o nome dele próprio.

O livro trata de uma temática necessária e útil para adolescentes que enfrentam os mesmos dilemas que os personagens da história, mas não me cativou em nenhum aspecto além deste. Os Wills se "alternam" em cada capítulo, narrando os acontecimentos e seus sentimentos em primeira pessoa, e isso me parece bem interessante no início. Mas a narrativa se torna um pouco vazia com o passar das páginas. Acho que a história não se costura de forma a ficar consistente, e o final deixa a impressão de que eram necessários mais alguns capítulos. Este livro é assinado em conjunto com David Levithan, e é possível perceber certa diferença dos outros que têm um estilo exclusivo de John Green.

5. Cidades de Papel (Paper Towns), 2008

Deixei Cidades de Papel para o fim por dois motivos: 1) o trailer do filme, que deve ser lançado ainda este semestre, saiu hoje e achei lindo. 2) melhor livro que li de John Green!

O livro conta a história de Quentin Jacobsen, um adolescente que é platonicamente apaixonado por Margo, sua vizinha (quem nunca, né?). A garota, que estuda na mesma escola que ele, adora mistérios e, em um belo dia, se transforma em um que Quentin terá que resolver. Isso porque ela o convida para fazer uma vingança contra o ex-namorado, que a traiu, e depois disso simplesmente desaparece.

Em um domingo eu me sentei para começar a ler este livro às 10h da manhã e não parei até terminá-lo, lá pelas 19h. Cidades de Papel tem uma narrativa em que os olhos praticamente escorregam pelas palavras, o mistério da história faz querer chegar logo ao fim e, em certo momento, não dá mais pra parar de ler. Foi esta a minha experiência insana com o livro, e eu tenho muita vontade de ler de novo. Quentin Jacobsen fala que "todo mundo tem seu milagre", e além de querer acompanhá-lo na busca pelo milagre dele - a Margo - é impossível a gente não parar pra pensar e refletir sobre o milagre dela, e claro, o meu próprio milagre.

Tô bem curiosa pra ver o filme. Acho que a história deve ficar ótima adaptada para o cinema, se conseguirem manter a atmosfera de mistério e ação do livro. Gostei bastante do trailer, mas ó: este é daqueles livros que não dá pra esperar pelo filme. Tem que ler antes!


P.S.1: Todos os livros do John Green têm uma linguagem simples e fácil (com algumas gírias, mas nada complexo demais). E é relativamente fácil encontrar os originais, em inglês, sendo vendidos por aqui no Brasil. Pra quem tá aprendendo a língua, é uma boa pra treinar.

P.S.2: "Aaahh mas você não leu 'Deixe a neve cair'". Li não, mas é assim ó: o livro não é só dele, então a "obra" de John Green tá aí. E quando eu conseguir lê-lo, claro, vou falar aqui. ;)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

>> 5 dicas para cultivar o hábito da leitura

Juro que tem um coração nessa foto =P
Uns dias atrás eu estava conversando com um colega de trabalho sobre força de vontade para cumprir objetivos como correr ou ir para a academia todos os dias, e ele me contou uma coisa interessante: um livro que ele estava lendo sustenta o argumento de que uma atividade se transforma em hábito depois de ser executada durante 21 dias consecutivos. Não lembro o nome da fonte de onde ele tirou esta informação, mas gostei dela e tomei pra mim, rs.

É comum ouvir gente falando que não gosta de ler, que é um "sonífero", que fica entediado lendo. No entanto, acredito que o gosto pela leitura é nada menos do que hábito. Ou seja, ele pode ser trabalhado para se tornar rotina e, por que não, um prazer. Já falei aqui no blog que às vezes tenho preguiça de ler - como todo mortal - e que por isso alterno atividades, como ouvir música no metrô. Mas o hábito da leitura é bom em diversos sentidos e tenho tentado retomá-lo com mais força a cada dia. Que tal começar tentando ler algumas páginas durante os 21 dias seguidos?

Pra dar um empurrão em quem também quer tentar entrar nessa empreitada, listo abaixo algumas dicas que podem ajudar. Se estão funcionando comigo; quem sabe não podem ser úteis pra vocês, né?

1) Leia o que te agrada. Não precisa ser apenas romances dos escritores clássicos. A leitura é benéfica porque é um exercício para o cérebro; por isso a gente pode fazer esse exercício da forma que mais se satisfaz; lendo romances, suspenses, poesia, quadrinhos ou revistas. Uma boa forma de "arejar" é alternar os tipos de livro, também. Assim você evita a impressão de que está entrando em uma rotina chata.

2) Permita-se parar de ler um livro pela metade. Não é porque você não gostou daquele livro-de-um-escritor-renomado-líder-de-vendas que você não nasceu pra ler. Assim como há pessoas que ouvem todo tipo de música enquanto outras só gostam de rock, ou pop, ou samba, com a leitura é preciso encontrar seu caminho. Seja o estilo de um escritor, seja um formato de texto. Se a leitura não está fluindo e deixou de te divertir/relaxar, é hora de pular para outro livro e/ou atividade. Quem sabe, voltando ao livro em outro momento da sua vida, você não se identifique totalmente com o enredo?

3) Tenha sempre um livro por perto. Pode parecer loucura, mas é possível ler mais de um livro de uma vez. Claro que você não precisa ter um em cada cômodo da sua casa, mas eu, por exemplo, tenho um na cabeceira da cama - que leio antes de dormir (quando falta sono) - e um na bolsa - que leio no caminho casa-trabalho. Por praticidade, prefiro os menores para carregar, e na minha cabeceira ficam aqueles de 400/600/800 páginas. Mas o critério é seu. A ideia, aqui, é lembrar que você pode ler, por exemplo, quando a programação da tevê está chata, ou a fila do banco está grande, ou quando você está no ônibus com o trânsito parado. Ter um livro à vista torna as coisas mais fáceis e eles podem estar, inclusive, no seu tablet/computador. O site Domínio Público tem mais de 2 mil obras para download. Que tal?

4) Leia com mais pessoas. Assim como ir para a academia ou curso de inglês é mais fácil quando você tem companhia, ler junto com outras pessoas ajuda a manter o costume. Não precisa, claro, fazer um grupo de leitura para recitais e saraus, haha. Uma forma legal é fazer um desafio literário, como o que o blog Não era amor, Era cilada fez pra este ano. Além de se divertir procurando livros que se encaixem nos temas propostos, você tem com quem "comentar" os livros que leu, e de certa forma "se obriga" a continuar. Mas falando em "se obrigar", leia o próximo tópico!

5) Não se obrigue a ler. Não, eu não estou entrando em contradição. A ideia de entrar em desafios e grupos de leitura é apenas uma forma de estímulo; afinal, nem tudo que é obrigação é prazeroso, né? Atente-se para respeitar suas vontades, e abra mão do livro se não estiver em um dia pra leitura.

Encontrei no blog Desassossegada uma lista com 15 benefícios da leitura. Se você ainda precisa de incentivo, dê um pulo lá clicando aqui.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015/2 - Nunca vai embora, de Chico Mattoso

O calor de Brasília nos últimos dias (ontem, às 8h da manhã, os termômetros já marcavam 29ºC) certamente não é comparável à cidade de Havana, em Cuba, mas me ajudou a compreender boa parte da narração de Nunca vai embora, de Chico Mattoso.

O livro é pequeno e tem uma linguagem simples, que torna a leitura fácil e rápida. Nunca vai Embora é o sexto livro lançado pela coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras, um projeto muito interessante que um amigo me apresentou: nele, 17 escritores foram convidados a passar um tempo em 17 cidades do mundo, com o propósito de criar um romance que tivesse o local como cenário, e retratasse o amor em suas diversas formas (saiba mais aqui). E a cidade eleita para Chico Mattoso foi a capital cubana.

O livro é uma narrativa sob o olhar de Renato, dentista que levava uma vida sem grandes curvas até conhecer Camila, uma jovem estudante de cinema que, com personalidade inquieta e uma forma particular de perceber o mundo, provocou uma turbulência no pacato cotidiano do dentista e, tempos depois, o convenceu a acompanhá-la por uns tempos em Cuba para que ela filmasse um documentário.

O caminho óbvio para Renato era conhecer a Havana turística, que aparece nos guias, conhecida nos livros. Mas este era justamente o objetivo contrário de Camila. Isso leva o casal e ter dias separados - ela filmando, ele fazendo seu roteiro clichê -, encontrando-se apenas pela noite para beber. Os desencontros de ambos levam a uma briga, que dá introdução à parte mais interessante da trama, quando Renato se vê obrigado a conhecer Havana por suas ruelas, prestar atenção em seus moradores e se enfiar em cada canto da cidade em busca da namorada, ou do motivo que o faz querer encontrá-la. Ele tem que conhecer o cotidiano da cidade em sua forma mais simples e, com isso, acabar conhecendo mais do que imaginara saber sobre o seu relacionamento, o amor (ou seria obsessão?) e, mais importante, sobre si.

As descrições de Nunca vai embora são bem desenhadas: muitas vezes é possível ter uma visão realista dos lugares, características dos personagens e situações que o autor está falando. A narrativa é dinâmica e instiga a querer saber o desfecho, no entanto a sensação pós-leitura não é aquela de nostalgia que eu gosto de sentir pelos livros recém lidos. Mesmo buscando uma Havana diferente, há alguns trechos caricatos no relato de personagens e situações; e a história se perde um pouco no desfecho: acredito que com algumas páginas a mais, diversos pontos poderiam ser melhor costurados. Mas de qualquer forma, é um livro que eu recomendo, tanto para "conhecer" Havana, quanto para tomar para si a reflexão que a história do dentista provoca.

Você pode ver um trailer do livro aqui.

*Este é o segundo livro que leio no ano, e vou tentar - eu disse tentar - entrar na brincadeira do Desafio Literário com o blog Não era amor, era cilada. O primeiro, Fim, da Fernanda Torres, foi o "Que o título tenha apenas uma palavra", e Nunca vai embora é o "Que se passe num lugar que você sempre quis visitar". Você pode saber mais sobre o desafio clicando aqui. :)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

>> Preguiça de ler

Ah, esse bichinho que toma conta da gente... (foto: Pixabay.com - Creative Commons)
Eu sei. É totalmente contraditório fazer um texto com o título "Preguiça de ler" em um blog em que a proposta é justamente ler. Mas resolvi começar por isso porque assim posso falar sobre algumas coisas e certamente vão se identificar, rs.

A vontade de criar este blog surgiu de diversas inquietações. Uma delas é o fato de não ter uma memória muito boa, rs. Isso acontece com filme, livro... uns tempos depois, não lembro muito o que se passa na história, os personagens, etc. Como tenho lido mais depois que voltei a andar de metrô diariamente, acho que escrever sobre o que acabei de ler me ajudaria a guardar melhorar aquela história e as sensações que ela me proporcionou.

Mas eu leio todo dia no metrô? Não, rs. Tem dias que eu durmo pouco e o máximo que consigo é colocar uma música no fone de ouvido (pra tentar acordar antes de chegar ao trabalho). Tem dias que o trabalho é puxado e na volta eu arrisco um cochilo. Tem dias que tá muito lotado e eu agradeço por conseguir entrar no trem, e manusear um livro passa dos meus limites de habilidade contorcionista. E tem dia que não tô com vontade, simples assim.

A ideia de registrar minhas impressões passa longe da intenção de fazer críticas literárias. E por isso mesmo eu não devo nos próximos posts falar apenas de livros. Todos os meus hobbies podem e devem aparecer por aqui. Vai depender do meu humor, da minha ~preguiça~, da minha vontade. E como boa palpiteira, lá vou eu dar pitaco sobre tudo.

Masss voltando à leitura: é claro que eu sei que é importante ler e a gente deve tentar manter um ritmo e etc e tal. Por isso mesmo, no próximo blog vou falar como eu tento manter meu hábito, sem que ele se torne obrigação.

Por enquanto, me contem aí: como vocês se estimulam pra ler mais?

:) Até!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

>> 2015/1 - Fim, de Fernanda Torres


Nove dias em 2015; seis dias com o primeiro livro do ano, e já estou aqui morrendo de saudade de Fim, da Fernanda Torres. Sim, eu sinto saudades dos livros logo depois que os termino - quando são bons, claro.

Eu havia ouvido muitos elogios sobre o título de estreia da atriz que, além de ser incrível e ter dado vida à Vani (aquela personagem maravilhosa que tem um pouco de todos nós), e imaginava que encontraria uma história boa nas 200 páginas de Fim. Maaaas eu não imaginava que a surpresa seria tão positiva. Entrou para a lista dos meus preferidos.

Cinco amigos veem suas vidas passarem, como diz o clichê, diante de seus olhos, e relembram como eram diferentes, ao mesmo tempo em que não poderiam ser mais semelhantes. Mas o livro passa longe da lição de moral ou do lugar-comum. Fernanda Torres, essa linda, se mostra uma escritora de muito talento ao desenvolver a narrativa, que é feita de trás pra frente e ao mesmo tempo de forma não-linear, com direito a diversos flashbacks de narradores que, ora em primeira, ora em terceira pessoa, completam um emaranhado de relações que se encaixam, no calor do Rio de Janeiro, das formas mais inesperadas (ou mais óbvias, mas não menos importantes).

A escrita de Fernanda não segue o trivial: emenda um fluxo de consciência à altura de Clarice Lispector (uma das minhas escritoras preferidas) com diálogos que dispensam travessão, começando e terminando de repente, como muitas vezes acontece em nosso cotidiano sem que paremos para perceber. Não se sabe quem estará narrando a próxima página, e isso alimenta a curiosidade até a última página.

Fim é sobre amizade, que pode se abalar com uma simples palavra. É sobre amor, que pode existir à noite e desaparecer pela manhã. Sobre sexo, que pode ser arrebatador, quente, sujo, alucinante ou apaixonado - ou tudo isso de uma vez. É sobre a efemeridade das relações, do cotidiano, da juventude, da existência.

Fim é sobre morte; e parte dela para seguir toda a sua narrativa. Mas aqui eu não estou contando o desfecho do livro porque ele é muito mais do que isso. É sobre vida. A vida mais comum possível e, por isso mesmo, a mais extraordinária possível.

Termino o primeiro livro do ano na expectativa de que Fernanda Torres publique mais romances assim. O segundo lançamento dela - Sete Anos - é um compilado de crônicas e já está na minha fila.

E você, já leu Fim? Onde? Quando? Me conte o que achou!