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domingo, 29 de outubro de 2017

Lázaro e Gil



Nas minhas férias eu não saí de casa mas viajei pela Bahia, pelos anos 1960, 1970, pela cultura brasileira e por toda nossa ancestralidade.

Em #NaMinhaPele, Lázaro Ramos nos conduz por uma conversa forte e necessária, que ao mesmo tempo é uma delícia. Parece que estamos tomando um café ou cerveja enquanto refletimos sobre o que somos e tudo que podemos nos tornar. 

Lázaro conseguiu uma receita que pra mim parecia difícil: chega a ser acadêmico, sem precisar ser burocrático. A simplicidade da narrativa fez com que eu me pegasse sorrindo de identificação num momento e chorando na página seguinte. É uma leitura essencial pra todos nós brasileiros. Sonho meu que esse livro se tornasse leitura nas nossas escolas.

O Gilberto Gil é ídolo. A biografia dele, escrita com Regina Zappa, me acompanhava há uns dois anos, e é daqueles livros que a gente guarda um pouco pra não ter que se despedir. A viagem em #GilbertoBemPerto é igualmente poética. Gil trouxe para nossa MPB a guitarra elétrica, mas muito maior que esse feito é a alma musical que ele imprime em cada letra e cada acorde. Um acervo que nos enriquece e do qual me orgulho de conhecer e amar.

As capas se complementam e, pra mim, não é à toa. Sinto e sei que todos somos parte de um todo, de uma história de força, resistência e afeto. 

"Afeto é potência", diz Lázaro Ramos. E afeto é o que eu tenho, guardo e carrego para compartilhar depois de ler esses dois presentes. 

Obrigada, Lázaro e Gil. Sigamos ✊🏿🙂❤

sábado, 27 de maio de 2017

"Surpreendente!" e o curso de Escrita Criativa com Maurício Gomyde

O ano está passando como um caminhão daqueles que a gente não consegue anotar a placa. Mas tirei um pedacinho desse sábado tranquilo pra falar do Surpreendente!, livro de Maurício Gomyde, lançado pela editora Intrínseca, que foi finalista do Prêmio Jabuti de 2016 (categoria Juvenil). O motivo: li rapidinho esta semana, enquanto também tive o prazer de fazer um curso de escrita criativa com Maurício. :)



São umas 260 páginas que contam a história de Pedro, que, nas palavras do autor durante o curso, "descobre que vai ficar cego em dois meses e pega a estrada numa viagem com três amigos para fazer um filme". Eu li muitos dos capítulos cantando mentalmente a música que o narrador indicava, e fiquei com vontade de ver muitos dos filmes citados no decorrer da história. Playlist cheia das "maiores músicas de amor de todos os tempos", como o próprio protagonista fala, e - aqui arrisco eu mesma - um bocado de clássicos e de rock dos bons! Dá pra ouvir aqui: 


O livro Surpreendente! é daqueles que a gente literalmente lê numa sentada. A linguagem simples e a dinamicidade dos diálogos fazem com que o leitor passe os olhos pelas páginas com uma fluidez que pouco se percebe. Nos capítulos iniciais eu já me vi torcendo pelo Pedro e ansiosa pra saber o que vem a seguir. Além de ter o cinema como um dos temas que permeiam a trama, acho que Surpreendente! é um livro totalmente "filmável". Será que alguma produtora vai ter esse feeling? Tomara!

O estilo de escrita do Maurício me lembrou John Green (A culpa é das estrelas, Cidades de papel) e R. J. Palacio (Extraordinário). Como sempre digo, não tenho medo de best sellers: defendo sempre que temos que ler de tudo, dos clássicos aos contemporâneos, do acadêmico ao infanto-juvenil. Podem vir surpresas ruins, claro, mas esses eu garanto que vale a pena, hahaha. Acho que Surpreendente! é um título perfeito pra presentear aquele seu primo ou sobrinho adolescente que precisa aprender a gostar da leitura. E se autopresentear, claro!

"E se uma pessoa passar toda a existência sem fazer algo realmente excepcional por um amigo, a vida não terá valido a pena...” (essa lindeza está na página 184)


Sobre o curso: acho que todo mundo que ama ler já se imaginou como escritor, algum dia. Mas na hora de sentar e deixar as palavras saírem, a coisa não é tão simples assim. Com o curso eu pude perceber que não tô sozinha nessa, hahahaha. Foram três dias, com três horas de aula em cada um deles, em que pudemos, digamos, ser apresentados a uma série de conceitos, técnicas e ferramentas. Pelo menos pra mim, essas horas de análise de obras e filmes foram muito bem aproveitadas, e acho que poderão ajudar a destravar quando a página estiver em branco, seja criando, seja no trabalho (porque, afinal de contas, a gente precisa usar a criatividade na labuta também). Agora eu torço por um módulo do curso com mais prática: botar a cabeça pra funcionar, escrever um bocado, rabiscar por cima... Alô, Maurício, vamos fazer uma oficina? o/

Você pode acompanhar informações sobre o curso lá no Facebook.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Feira do Livro de Brasília já tem data marcada

Alô, Brasília!

A nossa tradicional Feira do Livro já tem data marcada para 2017: de 16 a 25 de junho. A programação é de graça, e deve trazer muitas promoções de livros (pra gente fazer a festa), além de vários debates construtivos. A página do Facebook já está com a identidade visual nova, e as novidades devem ser divulgadas por lá nas próximas semanas :)

Neste mês de março eles estão recebendo das leitoras indicações sobre escritoras, e hoje saiu a minha, sobre Conceição Evaristo <3

Taí e tá aqui.

"Conceição Evaristo é uma escritora que deveria estar naquela lista de leituras essenciais que fazemos desde a escola. Baseada no que as mulheres negras vivem em seu cotidiano, especialmente nas periferias, ela retrata sonhos, dores e amores dessa parcela da nossa sociedade que ainda precisa ser vista e respeitada.

A escritora mineira diz que "a mulher negra não é só para ser corpo, beleza, dança… “Negro é lindo”, mas lindo também porque pensa, porque escreve, porque debate, porque luta". E faz de sua trajetória um claro exemplo disso. Entre as obras dela, recomendo "Olhos d'água" (Pallas, 2014), cujo título já revela muito do sentimento de quem lê e se identifica com suas palavras. Conceição Evaristo é tiro certeiro, descoberta, reconhecimento. Impossível passar imune ao que ela tem a nos dizer".

Tem alguma autora para indicar? Comenta lá!! O post completo está logo abaixo.

#DiadaMulher #LeiaMulheres #ElasPorElas #BrasíliaLeitora




sábado, 7 de janeiro de 2017

A contadora de filmes

Leitura super leve, história nem tanto 😢

 

Livro de Hernán Rivera Letelier, escritor chileno, se passa no Deserto do Atacama e conta a história de um povoado, movido economicamente por uma mina, que tem o cinema como única atividade de lazer. Uma menininha chamada Maria Margarida se apaixona com as histórias dos filmes e faz a gente se apaixonar pela forma com que ela as conta. 

1o de 2017: ☑️. Um prazer começar o ano com o encanto e a sensibilidade da Fada Docine ❣️

 





segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

5 dicas para ler mais a partir de HOJE

É na segunda-feira que a gente começa a dieta, começa a fazer exercícios, começa um bocado de coisas! Que tal começar a ler um livro hoje mesmo?

A gente sabe que atualmente são poucas as pessoas que têm o hábito de ler e estão ali, firmes, lendo pelo menos um pouquinho todo dia. Além da correria diária, sempre tem uma notificação nas redes sociais ou um episódio daquela série na Netflix pendente. Mas ao contrário do que muitos pensam, a falta de leitura está mais relacionada à falta de organização do que à falta de tempo propriamente dito.

Por isso, aproveitando o dia internacional de começar-tudo (sim, ela mesma, a segunda-feira!), encontrei lá no site Pequeno Guru uma listinha de 5 momentos ou formas em que você pode desenvolver essa ~mania~ de ler mais. Bora? :)

Foto: lentedorafa/flickr/creative commons

1. Ao chegar em casa

Seja forte, resista à fome, ao cansaço, ao desejo de um banho quente. Se jogue de cabeça no sofá com apenas o seu livro. Esse é um dos melhores momentos para ler. Não uma hora depois de chegar em casa, mas assim que você passar pela porta. Se você for comer algo, irá ligar a TV ou o computador e aí, estará tudo perdido. Chegou em casa, separe 20 minutos para ler antes de fazer qualquer coisa além de tirar os sapatos.

2. Depois do almoço

Os últimos minutos da sua hora de almoço são valiosos e, quase sempre, ociosos. Talvez você tenha o hábito de tirar uma soneca ou sua empresa seja barulhenta demais para tal, o que pode complicar, mas ainda assim esse é um grande momento para ler. Aproveite!

3. Enquanto espera

Provavelmente, você tem gaps entre atividades, talvez esperando clientes, entre o trabalho e a academia, esperando um amigo, o namorado, o marido, os filhos. Aqui também vale aquele tempo de deslocamento em que você está no ônibus ou no metrô, hein?
Procure por essas brechas e as preencha com livros.



4. Reduzindo outras leituras

Revistas e jornais são ótimos, mas nada se compara a livros. Isso vai de cada um, mas saiba que diminuir outras leituras podem ajudar a criar tempo para ler livros, que são textos muito mais profundos. Revistas e jornais (assim como sites) são leituras de atualidades, leia para ficar por dentro. Livro é leitura de conhecimento, leia para aprender.

5. Criando um compromisso

Vamos ser francos, mesmo que você não tenha tempo para nada na empresa, 20 minutos não irão lhe tornar mais eficiente. Se você é realmente uma pessoa ocupada, não há outro jeito a não ser criar um compromisso para isso. Separe no Outlook, Google Calendar ou na agenda física 20 minutos para ler. Tranque a porta e tire o telefone do gancho. Será preciso tirar o máximo desses 20 minutos, mas apesar de pouco, faz a diferença.

terça-feira, 31 de março de 2015

Tem mais gente lendo!

E os leitores compulsivos estão por todos os lados, mesmo com a correria do dia a dia, com praticidade dos celulares que sempre têm um passatempo a oferecer. Hoje eu publico aqui o resultado de uma entrevista que fiz com o pessoal do "Tem mais gente lendo"! É um projeto bem bacana feito lá em São Paulo, que mostra as pessoas que mesmo no metrô lotado, ou caminhando por aí, não abrem mão de seus livros <3

Dá uma olhada:

 Em tempos de tecnologia à palma da mão, quem ainda prefere os bons e velhos livros de papel chama a atenção por onde anda. E foi prestando atenção em quem aproveita o tempo de trajeto do metrô para ler que quatro amigos criaram o projeto "Tem mais gente lendo", no qual mostram pessoas e seus livros para festejar, cultuar e apoiar o gesto da leitura nos espaços públicos.

A ideia sugiu há cerca de dois anos, quando o jornalista Sérgio Miguez criou a hashtag #temmaisgentelendo. E no início de 2014, o também jornalista Hamilton dos Santos passou a fotografar as pessoas que observava nos vagões do metrô de São Paulo. "Comecei a ver naquilo um fenômeno que ia na contramão das previsões de que o livro físico estava condenado e dando seus últimos suspiros", lembra.

Tem mais gente lendo 1
Projeto registra pessoas que aproveitam tempo no metrô para ler :)
 Imagem: 
Tem mais gente lendo/Facebook
Hamilton conta que costuma ler alguns capítulos e fragmentos digitais pelo smartphone, no entanto, com o tempo está passando a se dedicar a fotografar as pessoas em seus momentos de leitura. Ele tem a preocupação de buscar não identificar as pessoas em suas fotos, devido aos direitos de imagem de cada um. "Avisamos no blog que se a pessoa não quiser, retiramos a foto. Com o crescimento do projeto, passaremos a andar com um formulário de autorização de uso de imagem", planeja. 

A ideia é que o "Tem mais gente lendo" se torne cada vez mais colaborativo; com imagens enviadas por pessoas que usam o transporte público. "As pessoas estão mandando fotos e essa era mesmo a ideia. Mandam fotos muito boas. Já publicamos algumas e vamos continuar publicando na timeline da página", celebra Santos.

Ah! Se você quiser registrar o que anda lendo por aí, mande sua foto pra gente pelo Facebook (fb.com/linometro), ou marque suas fotos no Instagram com a hashtag #LiNoMetro. Podemos usar o blog pra trocar ideias sobre nossas leituras e incentivar mais gente a ler :)

O projeto "Tem mais gente lendo" é semelhante ao Underground New York Public Library, que também registra leitores no transporte público de Nova York. A iniciativa criada por Ourit Ben-Haim existe desde 2008 e já teve mais de 56 mil curtidas em sua página do Facebook. No blog, Hamilton também publicou uma entrevista com o fotógrafo holandês Reinier Gerritsen, autor da série intitulada "The Last Book" (O Último Livro), na qual ele reuniu retratos de passageiros lendo livros no metrô da cidade norte-americana.

O vídeo abaixo, feitos pelos parceiros do projeto Carol Argamim e André Azevedo, mostra algumas das imagens já captadas pelo "Tem mais gente lendo". Assista!




O texto foi originalmente publicado no Portal EBC, onde esta que vos fala é editora de Educação e Cultura ;)

sábado, 21 de março de 2015

>> Qual seu poema preferido?

Neste sábado, 21 de março, celebra-se o Dia Mundial da Poesia. A data foi estabelecida como "World Poetry Day" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco ) na Conferência Geral de 1999. Já são 15 anos desta data e eu quero saber: qual é o seu poema preferido?

O meu é uma ode do Ricardo Reis, um dos heterônimos que o poeta português Fernando Pessoa usou ao longo de sua carreira:
Fernando Pessoa caminhando pelo
Baixo Chiado, em Lisboa
(foto: Domínio Público)


Para ser grande, sê inteiro: nada
          Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
         No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive


Vou aproveitar que falei sobre Fernando Pessoa pra dar uma dica a quem gosta de viajar: em Lisboa, há um café chamado A Brasileira, que está aberto desde 1905 e era um dos mais frequentados pelo poeta. Na calçada em frente ao café, junto às mesas dos clientes, há uma estátua de Pessoa também sentada à mesa.

Vale a pena ir até lá para conhecer a decoração (que é linda!), ver a estátua e, quem sabe, tomar um café. Mas atenção: achei o serviço beeeem lento quando fui. O café fica no Chiado, na Rua Garrett, 120.

Fernando Pessoa de boas esperando um café na rua Garrett
(foto: Ana Elisa Santana)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

>> 5 dicas para cultivar o hábito da leitura

Juro que tem um coração nessa foto =P
Uns dias atrás eu estava conversando com um colega de trabalho sobre força de vontade para cumprir objetivos como correr ou ir para a academia todos os dias, e ele me contou uma coisa interessante: um livro que ele estava lendo sustenta o argumento de que uma atividade se transforma em hábito depois de ser executada durante 21 dias consecutivos. Não lembro o nome da fonte de onde ele tirou esta informação, mas gostei dela e tomei pra mim, rs.

É comum ouvir gente falando que não gosta de ler, que é um "sonífero", que fica entediado lendo. No entanto, acredito que o gosto pela leitura é nada menos do que hábito. Ou seja, ele pode ser trabalhado para se tornar rotina e, por que não, um prazer. Já falei aqui no blog que às vezes tenho preguiça de ler - como todo mortal - e que por isso alterno atividades, como ouvir música no metrô. Mas o hábito da leitura é bom em diversos sentidos e tenho tentado retomá-lo com mais força a cada dia. Que tal começar tentando ler algumas páginas durante os 21 dias seguidos?

Pra dar um empurrão em quem também quer tentar entrar nessa empreitada, listo abaixo algumas dicas que podem ajudar. Se estão funcionando comigo; quem sabe não podem ser úteis pra vocês, né?

1) Leia o que te agrada. Não precisa ser apenas romances dos escritores clássicos. A leitura é benéfica porque é um exercício para o cérebro; por isso a gente pode fazer esse exercício da forma que mais se satisfaz; lendo romances, suspenses, poesia, quadrinhos ou revistas. Uma boa forma de "arejar" é alternar os tipos de livro, também. Assim você evita a impressão de que está entrando em uma rotina chata.

2) Permita-se parar de ler um livro pela metade. Não é porque você não gostou daquele livro-de-um-escritor-renomado-líder-de-vendas que você não nasceu pra ler. Assim como há pessoas que ouvem todo tipo de música enquanto outras só gostam de rock, ou pop, ou samba, com a leitura é preciso encontrar seu caminho. Seja o estilo de um escritor, seja um formato de texto. Se a leitura não está fluindo e deixou de te divertir/relaxar, é hora de pular para outro livro e/ou atividade. Quem sabe, voltando ao livro em outro momento da sua vida, você não se identifique totalmente com o enredo?

3) Tenha sempre um livro por perto. Pode parecer loucura, mas é possível ler mais de um livro de uma vez. Claro que você não precisa ter um em cada cômodo da sua casa, mas eu, por exemplo, tenho um na cabeceira da cama - que leio antes de dormir (quando falta sono) - e um na bolsa - que leio no caminho casa-trabalho. Por praticidade, prefiro os menores para carregar, e na minha cabeceira ficam aqueles de 400/600/800 páginas. Mas o critério é seu. A ideia, aqui, é lembrar que você pode ler, por exemplo, quando a programação da tevê está chata, ou a fila do banco está grande, ou quando você está no ônibus com o trânsito parado. Ter um livro à vista torna as coisas mais fáceis e eles podem estar, inclusive, no seu tablet/computador. O site Domínio Público tem mais de 2 mil obras para download. Que tal?

4) Leia com mais pessoas. Assim como ir para a academia ou curso de inglês é mais fácil quando você tem companhia, ler junto com outras pessoas ajuda a manter o costume. Não precisa, claro, fazer um grupo de leitura para recitais e saraus, haha. Uma forma legal é fazer um desafio literário, como o que o blog Não era amor, Era cilada fez pra este ano. Além de se divertir procurando livros que se encaixem nos temas propostos, você tem com quem "comentar" os livros que leu, e de certa forma "se obriga" a continuar. Mas falando em "se obrigar", leia o próximo tópico!

5) Não se obrigue a ler. Não, eu não estou entrando em contradição. A ideia de entrar em desafios e grupos de leitura é apenas uma forma de estímulo; afinal, nem tudo que é obrigação é prazeroso, né? Atente-se para respeitar suas vontades, e abra mão do livro se não estiver em um dia pra leitura.

Encontrei no blog Desassossegada uma lista com 15 benefícios da leitura. Se você ainda precisa de incentivo, dê um pulo lá clicando aqui.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015/2 - Nunca vai embora, de Chico Mattoso

O calor de Brasília nos últimos dias (ontem, às 8h da manhã, os termômetros já marcavam 29ºC) certamente não é comparável à cidade de Havana, em Cuba, mas me ajudou a compreender boa parte da narração de Nunca vai embora, de Chico Mattoso.

O livro é pequeno e tem uma linguagem simples, que torna a leitura fácil e rápida. Nunca vai Embora é o sexto livro lançado pela coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras, um projeto muito interessante que um amigo me apresentou: nele, 17 escritores foram convidados a passar um tempo em 17 cidades do mundo, com o propósito de criar um romance que tivesse o local como cenário, e retratasse o amor em suas diversas formas (saiba mais aqui). E a cidade eleita para Chico Mattoso foi a capital cubana.

O livro é uma narrativa sob o olhar de Renato, dentista que levava uma vida sem grandes curvas até conhecer Camila, uma jovem estudante de cinema que, com personalidade inquieta e uma forma particular de perceber o mundo, provocou uma turbulência no pacato cotidiano do dentista e, tempos depois, o convenceu a acompanhá-la por uns tempos em Cuba para que ela filmasse um documentário.

O caminho óbvio para Renato era conhecer a Havana turística, que aparece nos guias, conhecida nos livros. Mas este era justamente o objetivo contrário de Camila. Isso leva o casal e ter dias separados - ela filmando, ele fazendo seu roteiro clichê -, encontrando-se apenas pela noite para beber. Os desencontros de ambos levam a uma briga, que dá introdução à parte mais interessante da trama, quando Renato se vê obrigado a conhecer Havana por suas ruelas, prestar atenção em seus moradores e se enfiar em cada canto da cidade em busca da namorada, ou do motivo que o faz querer encontrá-la. Ele tem que conhecer o cotidiano da cidade em sua forma mais simples e, com isso, acabar conhecendo mais do que imaginara saber sobre o seu relacionamento, o amor (ou seria obsessão?) e, mais importante, sobre si.

As descrições de Nunca vai embora são bem desenhadas: muitas vezes é possível ter uma visão realista dos lugares, características dos personagens e situações que o autor está falando. A narrativa é dinâmica e instiga a querer saber o desfecho, no entanto a sensação pós-leitura não é aquela de nostalgia que eu gosto de sentir pelos livros recém lidos. Mesmo buscando uma Havana diferente, há alguns trechos caricatos no relato de personagens e situações; e a história se perde um pouco no desfecho: acredito que com algumas páginas a mais, diversos pontos poderiam ser melhor costurados. Mas de qualquer forma, é um livro que eu recomendo, tanto para "conhecer" Havana, quanto para tomar para si a reflexão que a história do dentista provoca.

Você pode ver um trailer do livro aqui.

*Este é o segundo livro que leio no ano, e vou tentar - eu disse tentar - entrar na brincadeira do Desafio Literário com o blog Não era amor, era cilada. O primeiro, Fim, da Fernanda Torres, foi o "Que o título tenha apenas uma palavra", e Nunca vai embora é o "Que se passe num lugar que você sempre quis visitar". Você pode saber mais sobre o desafio clicando aqui. :)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

>> Preguiça de ler

Ah, esse bichinho que toma conta da gente... (foto: Pixabay.com - Creative Commons)
Eu sei. É totalmente contraditório fazer um texto com o título "Preguiça de ler" em um blog em que a proposta é justamente ler. Mas resolvi começar por isso porque assim posso falar sobre algumas coisas e certamente vão se identificar, rs.

A vontade de criar este blog surgiu de diversas inquietações. Uma delas é o fato de não ter uma memória muito boa, rs. Isso acontece com filme, livro... uns tempos depois, não lembro muito o que se passa na história, os personagens, etc. Como tenho lido mais depois que voltei a andar de metrô diariamente, acho que escrever sobre o que acabei de ler me ajudaria a guardar melhorar aquela história e as sensações que ela me proporcionou.

Mas eu leio todo dia no metrô? Não, rs. Tem dias que eu durmo pouco e o máximo que consigo é colocar uma música no fone de ouvido (pra tentar acordar antes de chegar ao trabalho). Tem dias que o trabalho é puxado e na volta eu arrisco um cochilo. Tem dias que tá muito lotado e eu agradeço por conseguir entrar no trem, e manusear um livro passa dos meus limites de habilidade contorcionista. E tem dia que não tô com vontade, simples assim.

A ideia de registrar minhas impressões passa longe da intenção de fazer críticas literárias. E por isso mesmo eu não devo nos próximos posts falar apenas de livros. Todos os meus hobbies podem e devem aparecer por aqui. Vai depender do meu humor, da minha ~preguiça~, da minha vontade. E como boa palpiteira, lá vou eu dar pitaco sobre tudo.

Masss voltando à leitura: é claro que eu sei que é importante ler e a gente deve tentar manter um ritmo e etc e tal. Por isso mesmo, no próximo blog vou falar como eu tento manter meu hábito, sem que ele se torne obrigação.

Por enquanto, me contem aí: como vocês se estimulam pra ler mais?

:) Até!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

>> 2015/1 - Fim, de Fernanda Torres


Nove dias em 2015; seis dias com o primeiro livro do ano, e já estou aqui morrendo de saudade de Fim, da Fernanda Torres. Sim, eu sinto saudades dos livros logo depois que os termino - quando são bons, claro.

Eu havia ouvido muitos elogios sobre o título de estreia da atriz que, além de ser incrível e ter dado vida à Vani (aquela personagem maravilhosa que tem um pouco de todos nós), e imaginava que encontraria uma história boa nas 200 páginas de Fim. Maaaas eu não imaginava que a surpresa seria tão positiva. Entrou para a lista dos meus preferidos.

Cinco amigos veem suas vidas passarem, como diz o clichê, diante de seus olhos, e relembram como eram diferentes, ao mesmo tempo em que não poderiam ser mais semelhantes. Mas o livro passa longe da lição de moral ou do lugar-comum. Fernanda Torres, essa linda, se mostra uma escritora de muito talento ao desenvolver a narrativa, que é feita de trás pra frente e ao mesmo tempo de forma não-linear, com direito a diversos flashbacks de narradores que, ora em primeira, ora em terceira pessoa, completam um emaranhado de relações que se encaixam, no calor do Rio de Janeiro, das formas mais inesperadas (ou mais óbvias, mas não menos importantes).

A escrita de Fernanda não segue o trivial: emenda um fluxo de consciência à altura de Clarice Lispector (uma das minhas escritoras preferidas) com diálogos que dispensam travessão, começando e terminando de repente, como muitas vezes acontece em nosso cotidiano sem que paremos para perceber. Não se sabe quem estará narrando a próxima página, e isso alimenta a curiosidade até a última página.

Fim é sobre amizade, que pode se abalar com uma simples palavra. É sobre amor, que pode existir à noite e desaparecer pela manhã. Sobre sexo, que pode ser arrebatador, quente, sujo, alucinante ou apaixonado - ou tudo isso de uma vez. É sobre a efemeridade das relações, do cotidiano, da juventude, da existência.

Fim é sobre morte; e parte dela para seguir toda a sua narrativa. Mas aqui eu não estou contando o desfecho do livro porque ele é muito mais do que isso. É sobre vida. A vida mais comum possível e, por isso mesmo, a mais extraordinária possível.

Termino o primeiro livro do ano na expectativa de que Fernanda Torres publique mais romances assim. O segundo lançamento dela - Sete Anos - é um compilado de crônicas e já está na minha fila.

E você, já leu Fim? Onde? Quando? Me conte o que achou!